quarta-feira, 20 de janeiro de 2010

Café

Daqui esguicha o leite,
esturricado o bico no peito do sol.
Esta curva é chafariz, não vê?
O que corre:
sangue doce de floresta
(ou sua temperatura
que é minha memória).

Amanheço apavorada.
Não sei se foi o canto,
o ninho,
um arco posto
ou seta.

E ai, me encolho dormente,
eu pasto.
Sou dela a coisa ausente,
o que está no meio do laço.

Bebemos o café
da primeira manhã.

Desde então
o vento levanta
todas as manhãs
(e os olhos seus
que são o brinquedo de Deus).

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