segunda-feira, 18 de janeiro de 2010

Oração

Sá, licença,
é preciso de dizer
que estou invurtando em aço de sonho,
em desperdício de arco e tromba de céu,
ou na corredeira de uma fugaz.

Vou com pau de dar em cobra,
que à noite há muitas,
vêm pelas areias,
vão besouros,
escorpiões,
palavras no ninho de Coisa.

Vim sentir o vento,
caminhar até me tirar um pouco,
espantar esse silêncio ossudo.

Pensei nela numa cisma,
foi crescendo um ciso no meu peito,
cada dia, cada dia.

Fui capaz de não falar palavra,
nem trisca de quem me dera,
nem fôlego de bem-querer.

Por cima a cosmosura,
por baixo a serpente...

Vinha de vestido me amanhecendo na notícia,
emprenhava meu coração a passo de peçonha,
a malvada sorria e sorria.

Olhava meu olhar por dentro,
imprimia conhecimento de favo em minha boca,
mentia como quem louvava.

Por cima a cosmosura, por baixo a serpente.

E agora virou foi vão em entre meus braços,
o quem de que preciso com febre,
zunido de vespa no ouvido,
e essa areia crescendo por cima,
Meu Deus e agora,
céu o quê,
sentimento ermo,
que apavorado!

Sá, licença,
é preciso já de dizer:
Oí que tô amando dando desperdício,
de estender vida pro mar e pronto,
de consolar o que entornei.

Esconde não, Rei dos Infinitos
Venha, Semente de claridade,
discutir meu merecimento.

Em antes dela eu morria cada vez,
queria caminhar
pra espantar tanta consumição.

Pensei nela de arroubo,
de circo, até,
por todos esses dias.

Agora peço com sede de sertão,
peço o amor,
mão dela,
peço a Deus moela e as tripas.
E leve logo junto meu coração.


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